# Taxa de esforço: quanto do teu ordenado pode ir para a prestação

> O número que o banco calcula antes de aprovar o crédito, como fazê-lo tu com o extrato à frente, e porque é que o limite que interessa é mais baixo do que o limite que te aprovam.

Source: https://trybica.com/pt/guides/taxa-de-esforco/
Updated: 2026-08-22

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A taxa de esforço é a percentagem do rendimento líquido do agregado que vai para prestações de crédito. É a primeira conta que um banco faz quando pedes um crédito habitação, e é uma boa conta para fazeres a ti próprio muito antes disso.

A fórmula não tem nada de complicado:

> **Taxa de esforço = (soma de todas as prestações mensais de crédito ÷ rendimento líquido mensal do agregado) × 100**

O que é complicado é acertar nos dois números.

![Bandas da taxa de esforço: confortável abaixo de 33%, esticada até 40%, normalmente recusada acima disso](/guides/taxa-de-esforco-pt.svg)

## O numerador: todos os créditos, não só a casa

O erro mais comum é pôr lá só a prestação da casa. O banco não faz isso. Entra tudo o que é crédito:

- a prestação do crédito habitação, incluindo a de uma casa anterior se ainda a tiveres
- o crédito automóvel
- créditos pessoais
- o cartão de crédito, na parte que não liquidas todos os meses
- créditos ao consumo, incluindo os que ficaram de uma compra a prestações

Os seguros associados ao crédito — vida e multirriscos — não são prestação de crédito, mas saem todos os meses e o banco olha para eles. Para efeito de decidires se consegues viver com isto, mete-os na conta.

## O denominador: líquido, e do agregado

Rendimento líquido é o que entra na conta depois de IRS e Segurança Social. Não é o bruto do contrato. Se são dois a comprar, é a soma dos dois.

Duas armadilhas:

**Os subsídios de férias e de Natal.** Alguns bancos dividem por catorze meses em vez de doze, o que aumenta o rendimento mensal considerado e baixa a taxa de esforço no papel. Para a tua própria conta, usa doze. A prestação é cobrada doze vezes por ano e os subsídios [são dinheiro que serve para outra coisa](/guides/extra-salary-months/).

**Rendimento irregular.** A recibos verdes ou com comissões, a média dos últimos doze meses é o ponto de partida honesto, e a média dos três piores meses é a que devias conseguir suportar.

## As bandas, e o que querem mesmo dizer

Abaixo de **33%** é a zona confortável, e é onde a maior parte das análises de risco quer que estejas.

Entre **33% e 40%** é a zona esticada. Aprovam-se créditos aqui todos os dias, muitas vezes com condições ligeiramente piores, e vive-se aqui sem drama enquanto nada corre mal.

Acima de **40%** raramente passa, e as recomendações de supervisão em Portugal apontam para este limite há vários anos.

Os **35%** são a linha que quase toda a gente vigia na prática. Vale a pena saber onde estás em relação a ela antes de haver uma proposta em cima da mesa.

## O limite que te aprovam não é o limite que aguentas

Esta é a parte que a fórmula não diz. A taxa de esforço olha para crédito, e crédito não é a única coisa comprometida no teu mês. O condomínio, o IMI, os seguros, a creche, o passe, a eletricidade — nada disto entra na conta do banco e tudo isto sai da mesma conta.

A conta útil é outra: soma tudo o que sai todos os meses independentemente do que decidas, e vê o que sobra. A distinção entre [despesa fixa e despesa variável](/guides/fixed-vs-variable-spending/) é exatamente esta, e é a que decide se uma taxa de esforço de 34% é confortável ou asfixiante — depende inteiramente do que mais já está comprometido.

E há a parte que quase ninguém soma antes de comprar: uma casa custa mais do que a prestação, todos os meses, para sempre. [Quanto custa mesmo uma casa por mês](/guides/cost-of-owning-a-home/) faz essa soma completa — IMI, condomínio, seguros, manutenção — e o total costuma andar 20% a 30% acima da prestação sozinha.

## Se a taxa vai subir e não desceu ainda

Numa taxa variável indexada à Euribor, a prestação mexe-se sem tu fazeres nada, e a taxa de esforço mexe-se com ela. Um crédito contratado a 30% pode estar a 38% dois anos depois sem que nada tenha mudado do teu lado. [Ler o extrato do crédito habitação](/guides/reading-your-mortgage-statement/) explica porque é que a prestação muda e onde ver a próxima revisão — que é o que te permite calcular a taxa de esforço de daqui a seis meses, não só a de hoje.

## Fazer a conta com números a sério

Se as tuas contas estão todas visíveis no mesmo sítio, os dois números da fórmula deixam de ser estimativas. As entradas de ordenado são identificáveis, as prestações são débitos recorrentes com nome, e a soma é uma soma. Vale a pena fazê-la duas vezes: uma com o rendimento médio e outra com o rendimento dos piores três meses do ano passado. Se a segunda também dá abaixo de 35%, a decisão é fácil.
