# Depósitos a prazo ou Certificados de Aforro — onde pôr a poupança

> As duas opções seguras que quase toda a gente em Portugal compara. Como decidir sem ir atrás da taxa do momento.

Source: https://trybica.com/pt/guides/term-deposits-vs-savings-certificates/
Updated: 2026-08-17

---

É a pergunta que aparece sempre que alguém junta uns milhares de euros e percebe que estão parados numa conta à ordem a render zero: depósito a prazo no banco, ou Certificados de Aforro?

A resposta honesta é que dependem de coisas diferentes, e a maior parte das pessoas escolhe pela taxa que viu esta semana — que é o critério menos estável dos que existem.

## O que cada um é, na prática

**Depósito a prazo.** Emprestas dinheiro ao teu banco durante um período combinado a uma taxa combinada. O capital está coberto pelo Fundo de Garantia de Depósitos até 100.000 € por titular e por banco. A taxa costuma estar fixada à partida, e mobilizar antes do prazo normalmente custa-te parte ou a totalidade dos juros.

**Certificados de Aforro.** Emprestas dinheiro ao Estado português através do IGCP. O capital é garantido pelo Estado, sem o limite dos 100.000 €. A remuneração é indexada e capitalizada, e há um período mínimo de detenção antes de poderes resgatar.

Ambos são produtos de capital garantido. Nenhum é um investimento no sentido de crescimento — são sítios para guardar dinheiro que não podes ver cair.

## Os três critérios que decidem mesmo

### 1. Quando é que precisas do dinheiro?

Esta pergunta resolve a maior parte dos casos sozinha.

Dinheiro de que podes precisar no mês que vem não pertence a nenhum dos dois. Pertence a uma conta à ordem ou a um depósito sem penalização de mobilização, mesmo que renda menos. A diferença entre 2% e 3% em 3.000 € durante um mês são dois euros e meio; ter de resgatar à pressa custa-te muito mais do que isso em opções perdidas.

Dinheiro que não vais tocar durante mais de um ano é onde a comparação de taxas passa a valer alguma coisa.

### 2. Quanto tens?

Abaixo de 100.000 € num único banco, a garantia de depósitos cobre-te e a diferença de risco de crédito entre as duas opções é, para efeitos práticos, teórica.

Acima disso, ou se preferes não concentrar tudo numa instituição, a garantia estatal sem tecto dos certificados passa a ser um argumento real e não apenas uma nota de rodapé.

### 3. A taxa é fixa ou indexada?

Aqui está a diferença que as pessoas ignoram e depois lamentam.

Um depósito a prazo a taxa fixa é uma aposta na direção das taxas. Se as taxas caírem, ganhaste. Se subirem, ficas preso a um número que já não é competitivo até ao fim do prazo.

Os certificados acompanham um indexante, por isso movem-se com o mercado — melhor quando as taxas sobem, pior quando descem. Não é melhor nem pior em abstrato; é uma escolha sobre em que direção preferes estar errado.

Se não tens opinião sobre para onde vão as taxas — e quase ninguém devia ter — dividir entre os dois é uma resposta defensável em vez de uma falta de decisão.

## O erro que custa mais do que a escolha

Perseguir a taxa de campanha.

Os bancos lançam depósitos a prazo com taxas promocionais para dinheiro novo, muitas vezes por três ou seis meses, e depois o dinheiro cai numa renovação a uma taxa muito mais baixa se não estiveres a prestar atenção. A taxa que te fez abrir a conta não é a taxa que vais receber no segundo ano.

Vale a pena montar uma verificação anual — junta-a à revisão descrita no [guia da revisão semanal](/pt/guides/weekly-money-review/) — em que respondes a três perguntas:

1. **Que taxa estou a receber agora?** Não a que me atraiu, a atual.
2. **O que paga hoje a alternativa?** Depósito contra certificados, os dois números lado a lado.
3. **O saldo continua a fazer sentido?** Se os teus custos fixos subiram, o fundo que cobria seis meses já não cobre.

Quinze minutos por ano, e é aí que está quase todo o dinheiro desta decisão.

## Ver os dois no mesmo sítio

O problema prático é que estes produtos vivem em sítios diferentes. O depósito aparece na app do banco. Os certificados vivem no Aforronet e não aparecem em app bancária nenhuma. Duas metades da mesma decisão, nunca visíveis ao mesmo tempo.

A Bica junta as duas — as contas bancárias pelo Open Banking e os certificados diretamente do Aforronet — para que o total da poupança seja o total verdadeiro. Há mais sobre a parte dos certificados no [guia dos Certificados de Aforro](/pt/guides/certificados-de-aforro-tracking/), e sobre o efeito no património em [calcular o teu património real](/pt/guides/calculate-net-worth/).

## Uma regra prática que funciona

Para a maioria das casas em Portugal, a divisão que não requer previsões nenhumas é esta:

- **Um a dois meses de despesa** numa conta à ordem, acessível hoje.
- **O resto do fundo de emergência** em certificados ou num depósito mobilizável — vê [de que tamanho deve ser o fundo](/pt/guides/emergency-fund-size/).
- **Dinheiro com destino marcado a mais de um ano** no que estiver a pagar melhor no momento em que decides, revisto anualmente.

Não é otimizado. É robusto, que é a propriedade que conta em dinheiro que não podes perder.
