Quanto custa uma casa por mês, de verdade
IMI, condomínio, dois seguros e as reparações que chegam no calendário delas — os custos para lá da prestação, e como deixarem de te surpreender.
Por António Avelar Atualizado a 19 de agosto de 2026 3 min de leitura
Pergunta a alguém quanto custa a casa e a resposta é a prestação. É o número que vê todos os meses, por isso parece a resposta — e costuma ficar duzentos ou trezentos euros abaixo da verdade.
O resto esconde-se à vista de todos: uma parte anual, outra trimestral, outra a chegar só quando algo avaria. Nada disto é opcional. Um orçamento que só conhece a prestação é um orçamento que leva sustos com hora marcada.
O elenco recorrente
IMI. O imposto municipal sobre imóveis, calculado sobre o valor patrimonial da casa a uma taxa que o município define cada ano. Chega em uma, duas ou três prestações — tipicamente maio, agosto e novembro — conforme o valor. É o custo-emboscada clássico: ausente durante meses, e de repente umas centenas de euros com prazo.
Condomínio. Nos apartamentos, a quota mensal — e, menos famosa, a quota extraordinária ocasional, quando o prédio precisa de telhado, elevador ou pintura. O número mensal é fácil de acompanhar; o extraordinário é a razão por que prédios com fundos de reserva saudáveis merecem uma quota ligeiramente maior.
Os dois seguros. O multirriscos é obrigatório por lei nos apartamentos e exigido pelo banco quando há crédito; o seguro de vida vem à boleia do empréstimo. Ambos sobem na renovação e ambos recompensam uma nova simulação anual.
As taxas fixas das utilities. Água, eletricidade e gás têm uma componente fixa que pagas antes de consumir o que quer que seja. Vale a pena saber, nem que seja para um mês de consumo baixo deixar de parecer um erro de faturação.
O elenco irregular
As coisas avariam no calendário delas: o esquentador, uma janela, o frigorífico. E um proprietário paga o que um senhorio absorveria — não há ninguém a quem ligar.
A convenção útil é uma reserva de manutenção de cerca de 1% do valor do imóvel por ano, posta de lado quer algo tenha avariado quer não. Numa casa de 200.000 € são cerca de 160 € por mês. Há anos em que não gastas nada dela; no ano em que o telhado verte, gastas três de uma vez. A reserva transforma uma crise num levantamento.
O truque é anualizar
Estes custos não surpreendem pelo tamanho, surpreendem pelo ritmo. O IMI é invisível em março e incontornável em maio. Uma quota extraordinária cai uma vez e estraga um mês que estava bem.
A solução é tratar cada um deles como um custo fixo, porque é o que são — fixos na obrigação, irregulares apenas no calendário. Soma o ano — IMI, seguros, condomínio incluindo uma estimativa do extraordinário, a reserva de manutenção — e divide por doze. Esse valor mensal, ao lado da prestação, é o que a casa custa.
Duas notas práticas. Os meses de subsídio existem exatamente para despesas com este feitio — o IMI de maio e o seguro na renovação são candidatos naturais. E o número anualizado vale a pena saber antes de comprar, também: é a diferença entre uma prestação que consegues pagar e uma casa que consegues pagar.
Faz a soma uma vez
A maioria dos proprietários nunca somou tudo — os custos saem de contas diferentes, com nomes que o extrato não explica, em calendários que nunca coincidem. Juntar um ano deles demora uma noite.
O resultado é um número único e honesto. É sempre mais alto do que a prestação, e conhecê-lo é a diferença entre uma casa que cabe no orçamento e um orçamento constantemente emboscado pela casa.