Depósitos a prazo ou Certificados de Aforro — onde pôr a poupança
As duas opções seguras que quase toda a gente em Portugal compara. Como decidir sem ir atrás da taxa do momento.
Por António Avelar Atualizado a 17 de agosto de 2026 4 min de leitura
É a pergunta que aparece sempre que alguém junta uns milhares de euros e percebe que estão parados numa conta à ordem a render zero: depósito a prazo no banco, ou Certificados de Aforro?
A resposta honesta é que dependem de coisas diferentes, e a maior parte das pessoas escolhe pela taxa que viu esta semana — que é o critério menos estável dos que existem.
O que cada um é, na prática
Depósito a prazo. Emprestas dinheiro ao teu banco durante um período combinado a uma taxa combinada. O capital está coberto pelo Fundo de Garantia de Depósitos até 100.000 € por titular e por banco. A taxa costuma estar fixada à partida, e mobilizar antes do prazo normalmente custa-te parte ou a totalidade dos juros.
Certificados de Aforro. Emprestas dinheiro ao Estado português através do IGCP. O capital é garantido pelo Estado, sem o limite dos 100.000 €. A remuneração é indexada e capitalizada, e há um período mínimo de detenção antes de poderes resgatar.
Ambos são produtos de capital garantido. Nenhum é um investimento no sentido de crescimento — são sítios para guardar dinheiro que não podes ver cair.
Os três critérios que decidem mesmo
1. Quando é que precisas do dinheiro?
Esta pergunta resolve a maior parte dos casos sozinha.
Dinheiro de que podes precisar no mês que vem não pertence a nenhum dos dois. Pertence a uma conta à ordem ou a um depósito sem penalização de mobilização, mesmo que renda menos. A diferença entre 2% e 3% em 3.000 € durante um mês são dois euros e meio; ter de resgatar à pressa custa-te muito mais do que isso em opções perdidas.
Dinheiro que não vais tocar durante mais de um ano é onde a comparação de taxas passa a valer alguma coisa.
2. Quanto tens?
Abaixo de 100.000 € num único banco, a garantia de depósitos cobre-te e a diferença de risco de crédito entre as duas opções é, para efeitos práticos, teórica.
Acima disso, ou se preferes não concentrar tudo numa instituição, a garantia estatal sem tecto dos certificados passa a ser um argumento real e não apenas uma nota de rodapé.
3. A taxa é fixa ou indexada?
Aqui está a diferença que as pessoas ignoram e depois lamentam.
Um depósito a prazo a taxa fixa é uma aposta na direção das taxas. Se as taxas caírem, ganhaste. Se subirem, ficas preso a um número que já não é competitivo até ao fim do prazo.
Os certificados acompanham um indexante, por isso movem-se com o mercado — melhor quando as taxas sobem, pior quando descem. Não é melhor nem pior em abstrato; é uma escolha sobre em que direção preferes estar errado.
Se não tens opinião sobre para onde vão as taxas — e quase ninguém devia ter — dividir entre os dois é uma resposta defensável em vez de uma falta de decisão.
O erro que custa mais do que a escolha
Perseguir a taxa de campanha.
Os bancos lançam depósitos a prazo com taxas promocionais para dinheiro novo, muitas vezes por três ou seis meses, e depois o dinheiro cai numa renovação a uma taxa muito mais baixa se não estiveres a prestar atenção. A taxa que te fez abrir a conta não é a taxa que vais receber no segundo ano.
Vale a pena montar uma verificação anual — junta-a à revisão descrita no guia da revisão semanal — em que respondes a três perguntas:
- Que taxa estou a receber agora? Não a que me atraiu, a atual.
- O que paga hoje a alternativa? Depósito contra certificados, os dois números lado a lado.
- O saldo continua a fazer sentido? Se os teus custos fixos subiram, o fundo que cobria seis meses já não cobre.
Quinze minutos por ano, e é aí que está quase todo o dinheiro desta decisão.
Ver os dois no mesmo sítio
O problema prático é que estes produtos vivem em sítios diferentes. O depósito aparece na app do banco. Os certificados vivem no Aforronet e não aparecem em app bancária nenhuma. Duas metades da mesma decisão, nunca visíveis ao mesmo tempo.
A Bica junta as duas — as contas bancárias pelo Open Banking e os certificados diretamente do Aforronet — para que o total da poupança seja o total verdadeiro. Há mais sobre a parte dos certificados no guia dos Certificados de Aforro, e sobre o efeito no património em calcular o teu património real.
Uma regra prática que funciona
Para a maioria das casas em Portugal, a divisão que não requer previsões nenhumas é esta:
- Um a dois meses de despesa numa conta à ordem, acessível hoje.
- O resto do fundo de emergência em certificados ou num depósito mobilizável — vê de que tamanho deve ser o fundo.
- Dinheiro com destino marcado a mais de um ano no que estiver a pagar melhor no momento em que decides, revisto anualmente.
Não é otimizado. É robusto, que é a propriedade que conta em dinheiro que não podes perder.