Criar regras para a categorização bater certo com a tua cabeça

A Bica arruma as transações sozinha e acerta na maioria. As regras são para os casos em que "certo" depende de uma coisa que só tu sabes — e ganham sempre.

Por Atualizado a 22 de agosto de 2026 5 min de leitura

A Bica categoriza as transações à medida que chegam, e na maior parte delas acerta. As interessantes são aquelas em que “certo” não é sequer uma propriedade da transação — depende de uma coisa que só tu sabes.

As compras no supermercado que eram afinal uma prenda. O combustível que é despesa profissional em tua casa e pessoal na minha. A transferência para a tua irmã que é ajuda à família e não uma transferência. Não há esperteza nenhuma que resolva isto, porque a resposta não está nos dados. É para isso que servem as regras.

O que é uma regra

Uma regra é um conjunto de condições e uma categoria. Tudo o que cumpre todas as condições fica com essa categoria, a partir do momento em que chega, para sempre.

As condições que podes combinar:

CondiçãoOpçõesMelhor para
Comercianteé um comerciante específicoO caso limpo: esta loja é sempre esta categoria
Descriçãocontém / é exatamente / começa porLinhas de extrato que nunca dão um comerciante decente
Contaé uma conta específicaDividir o mesmo comerciante pelo cartão que pagou
Valoracima / abaixo / entreO mesmo comerciante a querer dizer coisas diferentes consoante o valor

Duas propriedades pesam mais do que a lista. As regras ganham aos palpites da Bica — sempre, sem limiares nem desempates. E as regras nunca mexem numa categoria que puseste à mão; se já decidiste sobre uma transação, a tua decisão fica.

Começa numa transação, não na página das regras

A forma mais rápida de fazer uma boa regra não é sentares-te a desenhá-la. Abre uma transação que esteja mal arrumada e escolhe Categorizar sempre assim. A regra aparece já preenchida a partir dessa transação, e alargas ou apertas a partir daí.

Isto importa porque as regras escritas de memória tendem a ser largas demais. Escritas a partir de uma transação real, vês o que estás a apanhar.

Antes de guardares, a Bica mostra-te que transações existentes é que a regra apanha, e oferece-se para as recategorizar. Aceita quando estás a corrigir um erro antigo — caso contrário a regra só vale daqui para a frente e o ano passado fica na mesma.

Comerciante ou descrição?

Prefere comerciante quando o comerciante é reconhecido. Sobrevive a mudanças de formato da linha, a outro terminal, a outra cidade.

Usa descrição contém quando a linha nunca resolve bem — um processador de pagamentos, um marketplace que cobra em nome da empresa-mãe, as linhas de comissões do próprio banco. Escolhe o fragmento mais distintivo, e de preferência um que não seja um número: identificadores de terminal e referências mudam, nomes não.

Usa começa por em vez de contém para prefixos gerados pelo banco, em que a parte útil está à frente e tudo o que vem a seguir varia.

A ordem, e porque é que uma regra parece não fazer nada

As regras são verificadas da mais antiga para a mais recente, e ganha a primeira que corresponder. As regras seguintes nunca chegam a ver uma transação que uma anterior já reclamou.

É isto que baralha as pessoas. Escreves uma regra precisa para “bomba de gasolina, acima de 80 €, combustível profissional” e não acontece nada — porque uma regra larga que escreveste há meses já reclama todas as bombas para transportes.

A Bica avisa-te quando isso está a acontecer: ao criar uma regra que uma anterior já cobre, aparece um aviso a dizer qual é a regra anterior e em que categoria é que ela arruma aquilo. A correção é apertar ou apagar a regra anterior, não acrescentar uma terceira.

Consequência prática: escreve primeiro as regras largas e só depois as exceções, e só se as exceções forem mesmo mais estreitas. Se tens três regras a sobrepor-se para o mesmo comerciante, a correção honesta costuma ser uma regra e uma categoria com outro nome.

Quantas regras deves ter

Menos do que pensas. Entre cinco e quinze, para a maior parte das pessoas.

As regras são para casos em que a resposta é estável e é tua. Se estás a escrever uma regra para uma coisa que acontece duas vezes por ano, categoriza à mão — uma categoria posta à mão também é permanente, e não se acumula numa lista de regras que ninguém percebe daqui a um ano.

Sinais de que tens regras a mais:

  • Duas regras cujos nomes não consegues distinguir
  • Uma regra que não categorizou nada (a Bica mostra a contagem de cada uma)
  • Várias regras que existem porque as tuas categorias estão erradas — o que há a corrigir são as categorias

Vale a pena insistir nesta última. Uma regra é um penso rápido numa decisão. Se precisas de seis regras para separar despesa profissional de pessoal, o que precisas mesmo é de uma categoria profissional. Corrige a forma e a maior parte das regras desaparece.

Um bom conjunto inicial

Se queres um sítio por onde começar, estas quatro ganham o lugar em quase toda a gente:

  1. O teu ordenado. Descrição contém o nome da entidade patronal → Rendimento. Tudo o que vem a seguir depende de o rendimento estar certo.
  2. A prestação da casa ou a renda. Sai todos os meses com uma descrição que nunca muda → Casa. É a âncora do fixo contra variável.
  3. Qualquer transferência para a tua poupança. Para deixar de contar como despesa. É a distorção mais comum em qualquer total.
  4. Aquele comerciante com quem discutes sempre. Toda a gente tem um. Resolve-o de uma vez.

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