Criar categorias de despesa que encaixam na tua vida

A maioria dos sistemas de categorias falha por ter categorias a mais. Como construir um conjunto que ainda estarás a usar daqui a um ano.

Por Atualizado a 13 de agosto de 2026 4 min de leitura

A falha habitual é esta: alguém cria trinta e duas categorias num rasgo de entusiasmo, passa dois fins de semana a arrumar transações, descobre que Casa — produtos de limpeza tem 14 € lá dentro, e nunca mais abre a aplicação.

Categorias não são grátis. Cada uma custa atenção sempre que lês um resumo. Um sistema com demasiadas é mais difícil de ler do que nenhum sistema.

O teste que uma categoria tem de passar

Farias alguma coisa diferente com base neste número?

É só isso. Se a resposta for não, a categoria é decoração.

Supermercado passa: 640 € em vez de 400 € muda o que fazes na semana seguinte. Renda passa, por pouco — não a consegues mudar este mês, mas precisas dela para saber o que é fixo. Padarias separado de Supermercados chumba: não existe decisão que os trate de forma diferente.

Aplicando o teste com honestidade, a maioria das pessoas fica com oito a doze categorias. É a ordem de grandeza certa.

Um conjunto para começar

Se estás a construir do zero, isto funciona para a maioria:

  • Habitação — renda ou prestação, condomínio, contas da casa
  • Supermercado — hipermercado, mercado, loja da esquina
  • Comer fora — restaurantes, café, entregas, almoço no trabalho
  • Transportes — combustível, passes, TVDE, estacionamento, seguro
  • Subscrições — tudo o que é recorrente e digital
  • Saúde — farmácia, consultas, seguro
  • Compras — roupa, coisas para casa, eletrónica
  • Lazer — cinema, concertos, viagens, presentes
  • Outros — genuinamente tudo o resto

Nove. Repara que Comer fora está deliberadamente separado de Supermercado: ambos são comida, mas um é uma necessidade fixa e o outro é o custo mais elástico que a maioria das casas tem. Juntá-los esconde a única metade sobre a qual podes agir.

Deixa “Outros” existir

O instinto é eliminar a categoria-caixote. Não o faças. Todos os meses reais têm uma ida ao veterinário, uma multa de estacionamento, uma prenda de casamento e um canalizador, e forçar cada um numa categoria própria cria categorias que veem uma transação por ano.

O que deves vigiar é o tamanho. Abaixo de uns 10% da despesa, está saudável. Acima de 20%, está a esconder alguma coisa — olha para dentro e vais normalmente encontrar uma coisa recorrente que merece nome próprio.

Divide por comportamento, não por coisa

A categorização a que se recorre é por objeto: comida, roupa, transportes. A que realmente conduz decisões é por quanto controlo tens:

  • Fixo — igual todos os meses, não muda este mês
  • Variável — influencia-lo semana a semana
  • Poupança e dívida — dinheiro que sai para o teu eu futuro

Podes sobrepor isto às nove acima, e é a divisão que responde à pergunta verdadeira, que não é “o que comprei” mas “o que posso mudar”. Fixo vs variável explica como usá-la.

Mais uma razão para manter as categorias de saúde, educação e habitação arrumadas: são as que vais comparar com o e-Fatura em cada fevereiro. O guia das deduções de IRS explica essa verificação.

Deixa as correções fazer o trabalho

Construir o conjunto de categorias é a parte manual. Mantê-lo não devia ser.

Quando as transações têm nomes decentes, a maioria categoriza-se sozinha — um supermercado é supermercado onde quer que compres. O teu trabalho são só os casos ambíguos, e cada correção deve ficar: recategoriza um comerciante uma vez e a Bica aplica daí em diante. Vê categorização.

Para os casos que o nome do comerciante não resolve, usa uma regra. As duas que compensam para quase toda a gente:

  • O supermercado que não é comida. Produtos de casa e comida da mesma loja, separados pelo texto da descrição.
  • A transferência que é renda. Um pagamento para o nome de uma pessoa que só tu sabes que é o senhorio.

Dá-lhes nomes que soem a ti

Se pensas nisso como Dinheiro de gozar em vez de Discricionário, chama-lhe Dinheiro de gozar. Parece irrelevante e não é: um resumo escrito no teu vocabulário é lido, e um escrito em linguagem de contabilidade é folheado.

Há quem vá mais longe — Fixos, Sem culpa, Eu futuro é um conjunto de três completo e perfeitamente funcional. As categorias são para ti, não para uma norma de arquivo.

Revê uma vez, depois deixa em paz

Ao fim de dois meses, olha para o teu resumo e faz duas perguntas: que categoria nunca teve nada de interessante, e que número me surpreendeu. Funde a primeira. Considera dividir a segunda.

Depois pára. Um sistema de categorias que muda todos os meses não consegue mostrar uma tendência, e as tendências são a razão inteira para ter um. A revisão semanal é onde o usas; não é onde o voltas a construir.

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